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	<title>Instituto Meridiano &#187; Contemporaneidade</title>
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		<title>A moda na contemporaneidade e o desejo de desejar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 01:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Contemporaneidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Moda]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Tenho observado que os interesses dos estilistas nem sempre estão em sintonia com os dos consumidores, mesmo os mais descolados, de vanguarda, modernos.</p>
<p>Os consumidores demonstram interesse particular na utilização de um produto, que além de satisfazer uma necessidade aparente também comunique de maneira não verbal sua condição emocional, afetiva, socio-econômica-política e estética.</p>
<p>Por exemplo, uma pessoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-141" title="desejo" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2008/04/desejo.jpg" alt="desejo" width="460" height="343" /></p>
<p>Tenho observado que os interesses dos estilistas nem sempre estão em sintonia com os dos consumidores, mesmo os mais descolados, de vanguarda, modernos.</p>
<p>Os consumidores demonstram interesse particular na utilização de um produto, que além de satisfazer uma necessidade aparente também comunique de maneira não verbal sua condição emocional, afetiva, socio-econômica-política e estética.<span id="more-24"></span></p>
<p>Por exemplo, uma pessoa que veste determinada roupa (sapato, bolsa, jeans, vestido,) ou usa determinados objetos (caneta, celular, carro) comunica consciente e inconscientemente, mais do que “um estar na moda”, seu estado de espírito &#8211; alegre, deprê, poderosa ou submissa, boa condição financeira, politicamente correta, ou simplesmente se esta de bem com sua estatura, peso, tempo e espaço. Seu gozo pode ser marcado quando seu objetivo – conscienciente ou inconsciente – é alcançado, afetando o outro: na sedução, submissão, admiração ou mesmo inveja.</p>
<p><img src="http://www.fashionbubbles2.com/wp-content/uploads/wp-content/plugins/hotlinked-image-cacher/upload/wp-content/uploads/2007/10/sem-tituloh.bmp" alt="sem-tituloh.bmp" /></p>
<p>Por outro lado, o interesse dos estilistas, entre outros profissionais da extensa cadeia da moda, é de saber o que circula no mercado e antever o que virá na próxima coleção: matéria-prima disponível, cartela de cores, tendência e anseios dos produtores e consumidores. Seu gozo não se limita em saber que sua coleção foi um sucesso nas passarelas, mas no demonstrar da criação do novo, inusitado e convertê-lo em conceito e finalmente em produto a ser consumido.</p>
<p>O estilista, portanto não pode ser aquele que consome o que está disponível (já é passado), mas sim aquele que já está consumindo o futuro, as idéias, o que está ainda no imaginário vanguardista e ainda será convertido em produto para completar o campo simbólico dos consumidores. Esta pode ser uma das razões da eterna ansiedade, marcada pela busca não de um produto de consumo, mas do desejo do outro.</p>
<p>Estas são duas faces de uma mesma moeda. E nunca a moda foi tão difundida entre todos os estratos e rodas sociais, profissionais e leigos de diferentes idades, etnias e culturas. A moda tangencia também saberes como psicologia, antropologia, sociologia, economia, filosofia e psicanálise.</p>
<p>A cadeia da moda tem uma extensão muito maior do que a criação, produção e venda. É fundamental considerar nesta cadeia, o processo de criação, tecnologia têxtil, processo de produção e o parque industrial, economia formal e informal (pirataria) e todos os mercados que derivam desta cadeia: editoriais, desfiles, fotografias, mídia (TV, Internet, Jornais, Revistas, etc), publicidade e propaganda, centro de distribuição (carro, caminhão, avião), canais de vendas (lojas, shopping center), centros da moda (NY, Paris, Milão, Tokyo), até o consumidor final.</p>
<p>Todo mundo quer estar na moda e de alguma forma está ligado a ela querendo ou não. É interessante que através da história da moda percebemos que não é um tema novo (vestir e consumir), então o que este tema apresenta de diferente na contemporaneidade? Esta é uma longa discussão que poderia ser tema de tese de mestrado e doutorado.</p>
<p>Estamos vivendo um mundo de abundância como nunca visto na história da humanidade. O que é produzido e desperdiçado é mais do que suficiente para atender as demandas dos seres humanos (não quero entrar em questões sócio-politica-econômicas), todos sabemos que enquanto uns passam necessidades básicas, outros esbanjam e desperdiçam, o que também faz parte do humano-tão-humano. O fato é que os estudos e pesquisas, tecnologias disponíveis e recursos financeiros disponibilizaram e possibilitaram o acesso de produtos a grande maioria da população. Desta forma, a preocupação das pessoas medianas extrapolam questões objetivas acerca da sobrevivência (comer, vestir, proteger-se) para além do consumo – aquilo que é subjetivo, o desejo.</p>
<p>A constituição subjetiva e inconsciente do sujeito é marcada pelo desejo de desejar, desta forma não há produto que vá satisfazer a um único ser. Ora desejo “isto” e acho que se o tiver serei eternamente feliz, até que quando realizo meu sonho de consumo e percebo que não basta, quero agora “aquilo” pois “aquilo” é o que vai me deixar eternamente feliz. E assim, sucessivamente, sem cessar. Desta forma, o que nos move não são os objetos e sim o desejo de desejar.</p>
<p>O trabalho dos profissionais de criação, incluindo o estilista é de manter esta cadeia desejante em movimento, não podendo fixar-se em um produto, mas na escuta do desejo do outro para transformá-lo em produto ou serviço.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-142" title="consumo" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2008/04/consumo.jpg" alt="consumo" width="387" height="315" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-144" title="carlosthumbnail1" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2008/04/carlosthumbnail1.jpg" alt="carlosthumbnail1" width="80" height="80" /></p>
<p>Artigo escrito por Carlos Alberto Alves e Silva. Psicanalista e economista, com pós-graduação em Administração pela USP e Marketing pela ESPM. Tem MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management – Arizona – USA e formação nas áreas de Psicologia e Filosofia. email: carlos@imeridiano.com</p>
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