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	<title>Instituto Meridiano &#187; Winnicott</title>
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		<title>Fui almoçar com 2 blackberries e um estranho</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 02:57:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Winnicott]]></category>

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<p>Outro dia escrevi sobre a agradável experiência de trazer a atmosfera do almoço de sexta-feira para as quartas-feiras (thanks god it’s Wednesday!). Hoje decidi partilhar uma outra experiência que  me fez refletir sobre a frustração de almoçar sozinho mesmo na companhia de alguém.</p>
<p>Uma amiga me ligou e me convidou para almoçar e seu entusiasmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="file:///Users/Carlos/Desktop/00three_blackberry_amigos.jpg" alt=""><img alt="" /><img class="alignnone size-full wp-image-63" title="3_blackberry_amigos2" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2009/03/3_blackberry_amigos2.jpg" alt="3_blackberry_amigos2" width="450" height="302" /></img></p>
<p>Outro dia escrevi sobre a agradável experiência de trazer a atmosfera do almoço de sexta-feira para as quartas-feiras (thanks god it’s Wednesday!). Hoje decidi partilhar uma outra experiência que  me fez refletir sobre a frustração de almoçar sozinho mesmo na companhia de alguém.</p>
<p>Uma amiga me ligou e me convidou para almoçar e seu entusiasmo me contagiou. Era uma quarta-feira e eu estava disposto a repetir meu “happy Wednesday”.</p>
<p>Minha amiga insistiu muito para que eu fosse, dizendo que gostaria de me apresentar pessoas incríveis, animadas, que tinham tudo a ver comigo. Eu larguei tudo o que estava fazendo e fui ao grande encontro. Quando cheguei ao local pensei ter errado o restaurante, pois não os localizei no primeiro momento. Era um restaurante japonês com grandes divisórias entre as mesas que eram super, hiper baixas e todos nós, sentados quase no chão, com as pernas cruzadas ou entrelaçadas.</p>
<p><span id="more-58"></span>Não parecia um ambiente muito animado, pois estavam em silêncio, mas cheguei com tamanha empolgação que pensei ter interrompido a concentração. Cumprimentei minha amiga e me apresentei aos demais. Não precisei perguntar qual era o assunto, pois não me pareceu ter alguma coisa relevante ou escrachada em discussão.</p>
<p>Estavam todos tão envolvidos com seus brinquedinhos – celulares e blackberries – que nem perceberam o que eu pedi para comer ou beber. Tentei propor um assunto para discussão, entretanto as respostas eram vagas e sempre interrompidas: “Sorry, mas esta ligação eu tenho que responder”; olhando para tela do blackberry um deles balbucia: “Eu já passei três mensagens e este povo não responde”; “Oi, como vai? Eu estou almoçando, mas logo retorno”.</p>
<p>Por alguns instantes pensei o que eu estava fazendo lá, mas decidi não me frustrar e observar o comportamento de cada um cavoucando seu blackberry ou fazendo ligações como se estivessem comprando e vendendo uma empresa na Turquia.</p>
<p>Já li muito sobre o impacto dos blackberries, PDA, palm top, iphone, laptops, pagers, celulares na vida dos executivos. Em 2006 uma renomada empresa internacional de recrutamento de executivos, Korn &amp; Ferry fez um estudo com 2,3 mil executivos pesquisados em 75 países e concluiu que quatro, em cada cinco executivos no mundo, estão permanentemente conectados ao trabalho por meio de aparelhos móveis.</p>
<p>Vício ou virtude? Enquanto muitos criticam dizendo que a tecnologia digital e móvel acentuou os vícios no trabalho (workaholic – palavra em inglês originada de alcoolholic (alcoólatra) para designar pessoas viciadas em trabalho), autismo, atitude anti-social; por outro lado temos os defensores de que a qualidade de vida do executivo melhorou muito, possibilitando-o mais mobilidade, por exemplo, estar com a família sem se desconectar.</p>
<p>Este é o ponto de minha discussão: estar com…. sem se desconectar.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-64" title="babyblackberry" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2009/03/babyblackberry.jpg" alt="babyblackberry" width="450" height="299" /></p>
<p>Para o psicanalista Inglês Donald Winnicott: “Assim, a base da capacidade de ficar só é um paradoxo; é a capacidade de ficar só quando mais alguém está presente”. O trabalho de Winnicott me reporta a atitude das crianças enquanto estão brincando na presença da mãe. Algumas necessitam o tempo todo de atenção e ficam sempre inquietas mostrando o que estão fazendo, enquanto outras brincam quietinhas e de vez em quando, olham para assegurar se a mãe está presente. Este processo implicará no amadurecimento psíquico-emocional do indivíduo.</p>
<p>A impressão que eu tenho das pessoas que não podem prescindir de seus eletrônicos, é que não desenvolveram a capacidade de ficar só e não conseguem também estar na presença do outro para uma relação amadurecida, desta forma necessitam sempre estar conectadas, mostrando que estão fazendo algo de muito importante. Talvez precisem mostrar que são importantes, para alguém.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-65" title="blackberryandme" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2009/03/blackberryandme.bmp" alt="blackberryandme" /></p>
<p>Por Carlos Silva</p>
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		<title>Eu estou “lá” ou eu estou “aqui”?</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 23:29:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Winnicott]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Parodiando uma cena de um programa infantil antigo &#8211; o “Vila Sésamo” &#8211; onde uma criança se debate para entender o que quer dizer “lá” e “aqui” no intuito de ter noção de espaço e lugar, eu escrevo esta reflexão.</p>
<p>Na série que era uma espécie de Teletubbies, uma criança diz aos amigos: “Eu estou lá” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="42-17173063" href="http://www.fashionbubbles2.com/wp-content/uploads/2008/07/almoco-corporativo1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-129" title="images1" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2008/07/images1.jpg" alt="images1" width="243" height="284" /></a></p>
<p>Parodiando uma cena de um programa infantil antigo &#8211; o “<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_S%C3%A9samo" target="_blank">Vila Sésamo</a>” &#8211; onde uma criança se debate para entender o que quer dizer “lá” e “aqui” no intuito de ter noção de espaço e lugar, eu escrevo esta reflexão.</p>
<p>Na série que era uma espécie de Teletubbies, uma criança diz aos amigos: “Eu estou lá” e eles respondem: “Não, você está aqui”. A criança insiste e diz: “Mas eu quero estar lá” e todos o motivam a ir para lá. Estando longe dos amiguinhos, a criança novamente os pergunta: “E agora? Eu estou lá”. Todos respondem: “Não, você está aí”. No final, estando lá, ele diz: “Estou me sentindo tão sozinho!” E volta ao encontro de todos.<span id="more-15"></span></p>
<p>É curioso como todos os lugares em que não estamos, nos parecem ou nos são apresentados como aqueles mais badalados, “in”, os mais interessantes. Sempre ouvimos: ”Você não foi NA festa? Que pena, foi A festa mais divertida que eu já fui” – “Você foi na SPFW? Fui, “Assistiu ao desfile do X?” Nãaaaao! Que pena! Foi o melhor desfile que eu já assisti.”</p>
<p>Os acontecimentos mais legais são aqueles que não estamos, não fomos convidados e que muito provavelmente não irá se repetir: aquela festa, aquele jantar, aquele desfile…</p>
<p>Tais fatos nos frustram muito e nos fazem pensar entre o lá e o aqui. O fato é que “aqui” parece não acontecer nada de interessante. MAS lá, tudo de bom acontece em grande escala. Nossa ansiedade aumenta, por achar que temos que estar lá, entretanto, quando chegamos lá (nas conquistas da vida, no tão esperado cargo, quando conseguimos comprar um carro, uma casa, um vestido, algo que parecia ser nossa redenção), nos damos conta que o “lá” é o “aqui” e que para os que não estão compartilhando de nossa experiência, nós estamos por “aí”.</p>
<p>O fato é que se permanecermos “aqui” com o desejo de estar “lá”, nossa vida será sempre frustrante, cheia de inveja e ciúme daquilo que muitas vezes nem conhecemos. O “aqui” e o agora são muito importantes, até para sabermos para onde queremos ir. Porque o do outro é sempre melhor? Estar “lá” pode ser tão solitário que quereremos voltar aos nossos.</p>
<p>Agimos como crianças e não aprendemos que o nosso desenvolvimento intelectual, cognitivo, social, cultural, não nos garante um amadurecimento emocional e psicológico.</p>
<p>Às vezes, quando alguém lhe perguntar se esteve no melhor evento da vida e você não tiver ido, basta dizer como os Americanos: “Good for you!” &#8211; <strong>“Que bom pra você”</strong>!!!</p>
<p><a title="tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br" href="http://www.fashionbubbles2.com/wp-content/uploads/2008/07/tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-128" title="tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br" src="http://www.institutomeridiano.com/wp-content/uploads/2008/07/tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br.jpg" alt="tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Artigo escrito por Carlos Alberto Alves e Silva. Psicanalista e economista, com pós-graduação em Administração pela USP e Marketing pela ESPM. Tem MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management – Arizona – USA e formação nas áreas de Psicologia e Filosofia.</p>
<p>email: <a title="tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br" href="http://www.fashionbubbles2.com/wp-content/uploads/2008/07/tempo-livre-como-organizar-festa-460x345-br.jpg">carlos@imeridiano.com</a></p>
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